quinta-feira, 24 de junho de 2010

ME DISTRAI

Se a Dilma ganhar (Deus nos livre) a eleição presidencial, acho que vou passar a ver o sol quadrado. Afinal tenho me exposto, além dos limites , nesta campanha contra o PT. Mas, falando francamente, nunca vi ninguém mentir com tanta convicção quanto os nossos governantes.

Falo do nosso presidente, ministros, senadores e deputados...parece algo institucional ou algo que soa , estranhamente natural como se mentir fosse uma parte do estilo do governo e, quando mentem em rede nacional mentem para garantir o status quo.

Já escrevi sobre isso mas, a vocação de mentir deve iniciar na infância, quando a gente diz para a mãe que está sentindo uma
coisa estranha, bem aqui, e não pode ir à aula sob pena de morrer no
caminho.

Se fôssemos sinceros e disséssemos que não tínhamos feito a
lição de casa e por isso não podíamos enfrentar a professora a mãe teria uma grande decepção.

Assim, lhe dávamos a alegria de se preocupar conosco, que é a coisa que mãe mais gosta, e a poupávamos de descobrir a nossa falta de caráter.

Melhor um doente do que um vagabundo.

E se ela não acreditasse, e nos mandasse ir à escola de qualquer jeito, ainda tínhamos um trunfo sentimental. "Então vou ter que inventar uma história para a professora", querendo dizer vou ter que mentir para outra mulher como se ela fosse você.

"Está bem, fica em casa estudando!" E ficávamos em casa, fazendo tudo menos estudar, dando-lhe todas as razões para dizer que não nos agüentava mais, que é outra coisa que mãe também adora.

A primeira namorada. Mentíamos para preservar nosso orgulho, certo?

- Não, não, eu estava passando por acaso. Você acha que eu fico rondando
a sua casa o dia inteiro, é?

Mas o que vocês pensariam se nós disséssemos: "Sim, sim, não posso ficar longe de você, penso em você o dia inteiro, aqueles telefonemas que você atende e ninguém fala, sou eu!

Confesso, sou eu! Vamos nos casar! Eu sei que eu só tenho 12 anos e você tem 11, mas temos que nos casar! Senão eu morro. Senão eu morro!"?

Vocês se assustariam, claro. A paixão nessa idade pode ser um sumidouro. Mentíamos para nos proteger do sumidouro.

Outras namoradas. Outras mentiras.

- Eu só quero ver, juro. Não vou tocar.

Vocês não queriam ser tocadas, mas ao mesmo tempo se decepcionariam se a gente nem tentasse. Nem desse a vocês a oportunidade de afastar a nossa mão, indignadas. Ou de descobrir como era ser tocada.

Namorar - pelo menos no meu tempo, que comparado ao estilo atual é a própria Renascença - era uma lenta conquista de territórios hostis, como a dos desbravadores do Novo Mundo.

Avançávamos no desconhecido, centímetro a centímetro, mentira a mentira.

- Pode, mas só até aqui.

- Está bem. Não passo daí.

- Jura?

- Juro.

- Você passou!

- Me distraí!

Puxa, sem querer quase acabei por provocar a redenção dos petistas em sua tragetória de Pinóquios de Brasilia mas, diferente de nossas mentiras tão puerís , as mentiras destes políticos são cruéis.