Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma paisagem que parecia ser feita de aquarela. Perto da janela havia um jardim, repleto de bromélias , um pouco mais distante , uma primavera que cobria todo portão de entrada e, mais ao longe um enorme campo gramado.
Era uma época de uma mata bem verde, não sei se havia alguma diferença entre o inverno e o verão e não em lembro de estiagem.
O jardim, tratado com cuidado contrastava com o campo gramado , com pouca vegetação que sofria com os dias mais quentes.
Mas...todas as manhãs vinha um homem com um balde e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre a grama e a pouca vegetação existente.
Era uma espécie de aspersão ritual, para que o gramado não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abria a janela e encontrava as bromélias murchas e a primavera quase sem flor mas, o gramado sempre verde.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que as coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para vê-las assim. O olhar de quem vê é fundamental para fazer o mundo mais belo mas...a atitude é fundamental.